RESUMO DA NOSSA PALESTRA
AS PLANTAS
NA OBRA POÉTICA DE CAMÕES
(ÉPICA e LÍRICA)
Jorge Paiva
(Biólogo)
Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet. University of Coimbra
jaropa@bot.uc.pt
RESUMO
Na época camoniana, as plantas mais conhecidas e citadas na literatura, não eram tanto as plantas comestíveis ou ornamentais, mas mais as plantas medicinais. Como os Lusíadas foram escritos, quase na totalidade, no Oriente e centrados nos Descobrimentos, tem como base as plantas asiáticas, particularmente especiarias e medicinais; a Lírica como foi, maioritariamente, escrita em Portugal e centrada no amor e paixão, as plantas referidas são europeias, particularmente as flores destas. Numa e noutra obra o poeta raramente cita as mesmas plantas, mas quando isso acontece, fá-lo com significado diferente. Como Camões viveu a sua grande paixão durante os treze anos que esteve em Coimbra (1531-1544), de onde partiu aos vinte anos, a maioria das plantas referidas na Lírica são plantas dos campos do Mondego. O mesmo acontece no episódio da “Ilha dos Amores” dos Lusíadas (Canto IX, 18-95; X, 1-143) e no de Inês de Castro (Canto III, 118-135).
Camões, conhecia, seguramente, não só obras gregas sobre plantas, particularmente o tratado “De materia medica” (64 d.C.) de Pediamos Dioscórides (40-90 d.C.), como também os “Coloquios dos simples, e drogas he cousas mediçinais da Índia…” (1563) de Garcia de Orta, por quem acalentava uma afectuosa amizade e admiração.
Apesar de se saber isso, não é fácil determinar com exactidão todas as plantas referidas por Camões em toda a sua obra poética (Épica e Lírica), pois a maioria das vezes refere-as não só de forma poética, como também utilizando a sua admirável arte de derivar (ele próprio afirma que os seus versos são “derivações”) com extraordinários malabarismos linguísticos.
Além de algumas plantas invulgares e, ainda hoje, pouco conhecidas, referimos algumas com raras particularidades e apresentamos uma lista de nomes científicos das plantas mencionadas nos Lusíadas e outra das mencionadas na Lírica.
Num trabalho sucinto, não é possível abranger a vasta obra completa de Luís de Camões. Assim, abordaremos algumas das plantas mais invulgares referidas nos Lusíadas e praticamente todas as citadas na Lírica. Aliás, é nos Lusíadas que o poeta mais plantas menciona (cerca de cinco dezenas), na maioria asiáticas e aromáticas. Na Lírica refere muito menos espécies de plantas (cerca de três dezenas e meia), maioritariamente, europeias campestres e ornamentais.
Para determinados poemas polémicos, por haver (ou ter havido) críticos literários que os consideram camonianos e outros não, as plantas citadas nessas obras poderão auxiliar na autoria de Camões ou não. É, por exemplo, o caso do “Vergel de Amor”. Nesta poesia, citam-se, por vezes, muitas plantas por estrofe, o que não é característico de Camões e mencionam-se muitas plantas que não encontramos citadas em toda a obra poética indubitavelmente camoniana, como, por exemplo, as boas-noites (Mirabilis jalapa L.), nativas do Perú e não conhecidas na Europa na época camoniana e o girassol (Helianthus annuus L.), também nativo do Continente Americano; assim como plantas dos montes, como as giestas (Cytisus spp.), e os rosmaninhos (Lavandula spp.).
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